Tuesday, June 19, 2018

Afinal, Neymar foi caçado ou não foi?



Claro que Neymar, como muitos jogadores, exagera quando recebe faltas, mas que foi caçado, foi. O exagero da resposta não significa que as faltas não existiram.
Vejamos a opinião de outros observadores relevantes: Keith Hackett`é definido no jornal inglês The Telegraph como um especialista em questões de arbitragem. Leiam o artigo que se chama “o Brasil deveria ter vencido o jogo – VAR fez o primeiro erro na Copa ao não anular o gol de empate da Suíça.” [Brazil should have won the game – VAR made its first mistake of World Cup in not ruling out Switzerland equalizer.]. Para quem quiser ler:

O The Guardian, outro conceituadíssimo jornal inglês, concorda com a afirmação de que o Brasil deveria ter vencido, mas na base do mérito e apresenta as estatísticas que alguns já conhecemos (ataques, chutes a gol, escanteios etc.). Critica Neymar por exagerar, mas admite que dez penalidades num só jogador indica uma orientação de para-lo seja como for. Se quiserem ler, está disponível em

O conceituado jornal espanhol El País descreve: 
“Neymar voltava para buscar jogo, mas foi bastante caçado pelos defensores suíços.”

Tem mais, muito mais. Ajuda rever o jogo. Hoje é possível fazê-lo parando e voltando, no PC, tablet ou celular.  

Gláucio Soares

Monday, June 18, 2018

Os cartões amarelos e vermelhos podem decidir quem se classifica


Os cartões amarelos classificam o Brasil – A ironia de uma possibilidade improvável

Quem se classifica em cada grupo? A classificação é decidida pelo sistema de pontos: quem ganha leva três pontos, quem empata leva um e quem perde, nenhum.
E se dois ou mais terminam empatados nos pontos? É fácil acontecer. Já aconteceu muitas, muitas vezes.
Há critérios de desempate.
Pelo que leio nas REGULATIONS 2018 FIFA World Cup Russia, o desempate passa para a diferença de gols.
Porém, também é possível que seja a mesma... Aconteceu e acontecerá. E aí?
Se a diferença for a mesma, se classifica o que tiver maior número de gols nos jogos do grupo. Como 0x0 e 1x1 são resultados frequentes, não é impossível que duas seleções que empataram entre si tenham o mesmo resultado nos outros dois jogos.
E o que acontece se dois times empatarem nos critérios acima? Prevalece o maior número de pontos no confronto direto entre os dois times. E se empataram em gols, como o Brasil e a Suíça?
Se empatarem em tudo, entram critérios diferentes. Se aplica o & h) do artigo 6. O fair play.
Para calcular o fair play contam os pontos negativos, sendo um por cada cartão amarelo, mais para os cartões vermelhos. No jogo entre Brasil e Suíça não houve cartões vermelhos, mas o Brasil levou só um cartão amarelo e a Suíça três, sendo que dois por faltas no Neymar.
As faltas no Neymar fariam a diferença e classificariam o Brasil!
A ironia: o Neymar, convocado porque faz muitos gols, classificaria o Brasil porque levou muita porrada...

Glaucio Soares

Caçando jogadores em campo



Muitos que viram o jogo Brasil x Suíça perguntam se Neymar foi caçado.
Como saber?
Olhemos os números. Houve dez faltas marcadas contra Neymar.
Isso é muito ou é pouco? Pelos padrões desta Copa é muito. Neymar levou tantas faltas quantas as levadas por todo o time de Portugal no jogo contra a Espanha; pelo time do México contra a Alemanha; pelo da Dinamarca; pelo da Rússia e pelo da Islândia. Todo o time do Egito sofreu seis faltas durante o jogo.
Para padrão de Copa, o jogo foi faltoso: 19 feitas pela Suíça e 12 pelo Brasil. Neymar recebeu mais da metade do número de faltas recebidas por todo o time do Brasil, incluindo as substituições.
E temos os cartões dados por “AQUELE” juiz: três cartões amarelos para os suíços, dois por porradas no Neymar.
Independentemente de quão mal o Brasil jogou, particularmente no segundo tempo; independentemente de se o gol suíço deveria ser anulado ou não; independentemente de se houve pênalti contra Gabriel Jesus ou de qualquer outra observação, o Neymar foi caçado.

GLÁUCIO SOARES

PS - Aceito pacificamente que sou sectário, mas dado é dado.

Sunday, October 01, 2006

A altitude representa uma vantagem ilegítima para o time de casa

  • Alguns países e times têm uma vantagem muito grande nos jogos feitos em casa que talvez não seja legítima.
  • A Bolívia é um exemplo: joga muito em La Paz, cerca de 4000 m acima do nível do mar. A "doença das alturas" é uma companheira freqüente de quem visita essas altitudes, mesmo pessoas em boa forma, como os jogadores profissionais de futebol devem ser. Os sintomas são dor de cabeça, nausea, vomitos, fadiga, confusão etc. Bolivianos de la Paz se sentem em casa aqui e jogam relativamente bem, mas perdem quando jogam fora de casa.
  • O Equador também, mas o Equador joga um pouco melhor do que a Bolívia fora de casa
  • Bogotá e a Cidade do México também são complicadas para jogar, ainda que menos.
  • Um dos problemas para a América Latina é que os times que se classificam na base da altura não jogam bem nas Copas do Mundo ou outros campeonatos disputados no nível do mar ou em lugares com baixa altitude.

RESULTADOS – JOGOS DA BOLÍVIA NAS ELIMINATÓRIAS PARA A COPA DE 2006

JOGOS EM CASA E FORA DE CASA


VITÓRIAS

EMPATES

DERROTAS

EM CASA

4

2

3

FORA

0

0

9


Com 2 graus de liberdade e um x2 de 9, a p é igual ou menor do que 0,025.
A distribuição é significativa.

  • As diferenças entre as vitórias e as derrotas refletem as diferenças nos gols: em casa, a Bolívia fez o dobro de gols do que jogando fora; o que mostra que o ataque joga melhor; mas a grande diferença é a defesa (em combinação com o ataque dos adversários): os adversários quando jogam na Bolívia fazem, apenas, um terço dos gols que fazem quando jogam em seu próprio campo.
  • Essa diferença grande afeta a representação da América do Sul em campeonatos globais e mundiais: em 1930, a Bolivia perdeu por 4-0 para a Iugoslavia; em 1978 ela jogou os play-offs contra a Hungria: em La Paz, a Bolivia perdeu apertado, 3-2, mas em Budapest, o resultado foi um desastroso 6-0. Não vejo o sentido de impedir outro time sul-americano mais competitivo de participar devido a uma forte influência do campo se, depois, o representante vai perder feio porque não jogará nas alturas.

RESULTADOS – BOLÍVIA GOLS PRO E CONTRA NAS ELIMINATÓRIAS PARA A COPA DO MUNDO DE 2006
JOGOS EM CASA E FORA


JOGOS EM CASA

FORA DE CASA

GOLS PRO

13

7

GOLS OUTRO

9

27


Um grau de liberdade, x2 de 8,625, p é igual ou menor do que 0.01.
A distribuição é significativa.

O Equador perdeu um só jogo em casa - ganhou sete e empatou dois. Fez 17 gols e levou cinco; porém, nos jogos fora de casa só ganhou uma vez, empatou dois jogos e perdeu seis. Fez apenas seis gols (perto de um terço dos que fez jogando em casa) e levou 14, também aproximadamente tres vezes os que levou em casa.
Esses resultados também são estatisticamente significativos.

Friday, September 29, 2006

O time de casa manda sim!

Não dá para ser acidente:
  • todas as copas realizadas na América Latina foram ganhas por uma equipe latino-americana e todas menos uma das realizadas na Europa foram ganhas por uma equipe européia.
  • O Brasil ganhou as duas ganhas em "países neutros", os Estados Unidos e no Japão/Coréia.
  • A Inglaterra só venceu na Inglaterra e a França na França. Em 2002, a Coréia do Sul foi às semi-finais e o Japão fez sua melhor apresentação. Os dois saíram na primeira rodada este ano, 2006.
  • Esta vantagem do time de casa vale para todos os campeonatos que examinei (UEFA, Campeonato Brasileiro, Copa das Américas, Libertadores etc). Na média, significa dois gols do time de casa por cada gol do visitante. Em alguns casos, a diferença é maior.
  • Veja o quadro estatístico das Copas (exclusive as realizadas em "países neutros"): nas cinco copas realizadas na América Latina de 1950 para cá, as equipes latinoamericanas venceram todas; das oito copas realizadas na Europa, o Brasil venceu uma (em 1958, na Suécia) e equipes européias venceram as demais. Calculando o x2 vemos o seguinte:
Graus de liberdade: 1
x2 = 9,479
p menor ou igual a 0,01.
A distribuição é significativa.